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Voar é uma ambição humana há muito tempo.  Mentes geniais investiram tempo e conhecimento para criar uma maneira de colocar o ser humano nas alturas.  Pensamos em regras, na engenharia, em tecnologia, em órgãos reguladores, em conforto e rotas. Mas será que damos a devida atenção ao fator humano?

Quando ouvimos sobre incidentes aéreos, os pilotos são sempre mencionados, afinal, nas mãos deles está a maior responsabilidade. No entanto, a tripulação de uma aeronave ainda conta com aeromoças e comissários de bordo que também enfrentam problemas com horários desregulados, longos períodos fora de casa, pressão e pouca disponibilidade de organizarem suas agendas e vida pessoal.

É comum que pessoas que trabalham nos ares sofram de depressão e ansiedade, contudo, muitas vezes, esses quadros são ocultados das companhias por receio de terem suas carreiras interrompidas. No entanto, deve-se pensar que é preciso considerar que as variações de horários, falta de tempo hábil para adaptação do ciclo circadiano, ou cansaço generalizado, devem ser levados em consideração, tanto quanto com equipamentos e procedimentos de segurança.

Hoje em dia, cuidar da saúde física está cada vez mais em pauta, porém pouco se fala sobre a importância de cuidar da saúde mental. Segundo o estudo de Anthony Evans, Departamento de Medicina da Organização Civil Internacional da Aviação, de novembro de 2013, há déficits graves no acompanhamento dos pilotos em matéria de saúde mental. Cerca de 60% dos pilotos que sofrem algum tipo de depressão decidem continuar a voar, sem comunicar aos empregadores.

De acordo com o inquérito anônimo para 1826 pilotos de mais de 50 países realizado pela Universidade de Harvard no ano de 2015, 12.6% dos pilotos inquiridos se encontra dentro do padrão de depressão provável e 4.1% numa situação mais grave. O levantamento focou em pilotos, mas a situação é alarmante para todos os profissionais do segmento.

Dados como estes precisam da atenção de todos que atuam na aviação. O psicólogo João Paulo Coelho, graduado pelo Centro Universitário da Grande Dourados e pós-graduado em Psicopedagogia Clínica pela Universidade Nove de Julho, que atende por meio do Zenklub, conta que o tempo é algo precioso para profissionais da aviação e, por exemplo, comissários de bordo muitas vezes não procuram por terapia presencial, pois gastariam muito tempo se locomovendo até o consultório ou experimentando e buscando um psicólogo com quem se identifiquem e se sintam à vontade.  Além disso, estando cada dia em um lugar fica difícil manter a regularidade da presença física “O Zenklub, com terapia por vídeo-consulta, possibilita isso. Sem sair do quarto do hotel, de sua casa, de qualquer lugar do mundo, você tem um psicólogo à sua disposição. Meus clientes que atuam na área de aviação são muito gratos à plataforma” destaca.

A copiloto Patricia R. acredita que as empresas aéreas têm evoluído em relação ao cuidado com a saúde mental dos seus tripulantes, mas ainda é necessário um maior comprometimento com os mesmos. “Há muitos casos de depressão, crises de ansiedade e diversas doenças relacionadas com a saúde mental de pilotos e comissários, que aliados a uma escala de voos extremamente desgastante contribui negativamente com a segurança de voo. O acompanhamento psicológico dos pilotos é realizado anualmente por hospitais militares ou clinicas particulares especializadas em medicina aeroespacial. São efetuados testes psicológicos e psicotécnicos superficiais com o único objetivo de julgar se o piloto é capaz de solucionar certos exercícios lógicos, o que na minha opinião, somente avalia sua capacidade lógica. ”afirma. Para Patricia, é extremamente importante abordar assuntos psicológicos na aviação. “Há tantas cobranças em relação a saúde mental de tripulantes e é preciso mais soluções disponíveis e apresentáveis para nós. ” destaca.

De acordo com a psicóloga Lidiane Pontes, graduada pela Universidade Veiga de Almeida, UVA-RJ, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Centro de Psicologia Aplicada e Formação, CPAF-RJ, que também atende por meio do Zenklub, há um tabu nas empresas aéreas sobre a saúde mental: “Ainda existe a ideia de que para se trabalhar no ramo da aviação é preciso atender a certos padrões psicológicos, intelectuais e de beleza. Essa ideia somada a outra, equivocada, de que a Psicologia só serve para tratar problemas mentais, dificulta a inserção do psicólogo nesse ramo, assim como, a clareza e a definição de seu papel dentro desse contexto. Por exemplo, existem muitas áreas de atuação em Psicologia: clínica, organizacional, escolar, esportiva. Porém, no que diz respeito à atuação do psicólogo (a) na área da aviação, pouco se discute em relação às ações preventivas do estresse pós-traumático ou à necessidade de um atendimento psicológico especializado que saiba abordar situações de emergência, de catástrofe ou de luto entre os envolvidos. ”afirma a psicóloga.

Lidiane completa dizendo que muita gente deixa a saúde mental de lado por preconceito (ao achar que é coisa de gente louca) ou por falta de tempo. “Debates e informações sobre os possíveis ganhos, habilidades e competências que as pessoas adquirem fazendo terapia precisam vir à tona. Além disso, tempo é questão de prioridade. O que você tem priorizado é realmente mais importante do que retomar ou manter o seu bem-estar e saúde mental? O que você seria capaz de realizar sem essas duas coisas? Há muitas ferramentas disponíveis para ajudar nesta questão. O Zenklub é um bom exemplo disso”, finaliza.

 

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