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O mundo da aviação é infinito. Existe sempre algo para procurar, pesquisar, estudar, aprender e conhecer.

Para quem vê nascer um avião, fica sempre expectante sobre a sua performance. Alem disso, quais serão as companhias os vão adquirir, em que cores e circunstâncias é que o vão ver ou fotografar. No entanto, quando é uma perda, o caso muda de figura.

Nos primórdios da década de 60, o mundo da aviação andava rendido aos suprassumos da época. O DC-8 sempre estonteante e esbelto, com uma aparência e um barulho característico da Douglas. Tal acontece como na altura, com o  state of the art, Boeing 707. Contudo, o mercado começava a ser mais abrangente e rigoroso.

Com a ideia de viajar de avião a dar cartas vistas, os fabricantes começaram a analisar o mercado. A tendência era o aumento do nível de procura e de lotação. Foi então que iniciaram os estudos para produzir algo soberbo e inédito na aviação mundial. Sendo sempre o objetivo, corresponder com as exigências das companhias aéreas, ao transportar o maior numero de passageiros possível.

Joseph “Joe” Sutter era um engenheiro da Boeing,  encontrava-se à frente da linha de produção do conhecido Boeing 737. Foi então destacado para abraçar um projeto nunca antes desenvolvido, o 747.

Boeing 747-100 da Pan Am em pleno voo

Reunido com a PAN AM, companhia que era maioritariamente interessada, desenvolveram os primeiros planos de produção. Sutter acreditava que o 747 seria rapidamente substituído, face ao desenvolvimento do Concorde. Felizmente estava errado.

Uma companhia prevenida vale por duas. A Boeing precaveu-se ao adaptar o 747, não só para transportar passageiros, como para carga.

Durante o ano de 1966, a Pan AM avançou com a compra de 25 unidades. Um marco histórico para a companhia, ao ser a pioneira de um dos maiores aviões do mundo. Dentro dos percalços, o projeto tinha pernas para andar.

O centro de produções de Seattle era bastante pequeno. Para construir um avião de tamanha envergadura, era necessário aumentar o território. Foi então que adquiriram um terreno de 325 hectares. Debastaram tudo e construíram a zona de produção.

Em 1968, o  Boeing 747 saiu da toca e posou para as centenas de jornalistas que por lá se encontravam. Permaneceram pasmados a observar um avião tão grande, com uma corcunda de dois pisos sob as costas da fuselagem. Chegaram a duvidar, que um monstro daqueles conseguisse sobrevoar os céus.

Foi então que no dia 2 de Fevereiro de 1969, puderam sentir os quatro motores Turbofan Pratt & Whitney JT9D a dar ar, som e fumo de sua graça.

Aos comandos, estavam os pilotos Jack Waddel e Brien Wygle, acompanhados do engenheiro Jack Wallick. Após o primeiro voo, a tripulação afirmava que o avião parecia um brinquedo. Estes acharam um avião tranquilo de pilotar e de o manobrar. Algo aparentemente complexo para um avião daquele tamanho e envergadura.

Em 1970, fez o seu primeiro voo comercial de Nova Iorque a Londres. Esta foi a rotação que marcou o inicio de um ciclo com mais de 50 anos de vida. Durante a década de 70, o Jumbo entrou em vários filmes. Os media que seguiam a sua história, apelidaram-no de Rainha dos Céus. Um nome à altura e para a presença de tamanho avião.

Com o passar os tempos, o estreante Boeing 747-100 teve varias variantes: -100B; -100SR, 200, SP, 300, 400 e por ultimo -8i ou advanced.

Boeing 747-8 Qatar Amiri Flight

Infelizmente, face as condições económicas em que o mundo vive, as companhias aéreas, tentam sempre reduzir custos.

Os consumos e os valores de manutenção e reparação do Boeing 747 tornaram-se numa ameaça. Muitas companhias já o retiraram de frota, centenas já foram desmantelados. O fim aparenta estar próximo.

A Delta, companhia pioneira do Boeing 747-400, já se desfez de grande parte da sua frota. Agora é a vez da United.

O dia 7 de Novembro deste ano, marcará o fim das operações do 747 na companhia de bandeira americana.

O ultimo voo parte de São Francisco na Califórnia para Honolulu. Este será uma representação histórica daquele, que foi o primeiro voo da Rainha dos céus pela United em 1970.

Com este voo, a companhia despede-se assim com muita tristeza de um dos maiores ícones da sua história.

O fim do 747 de passageiros aparenta estar próximo, os cargueiros aparentam ser os únicos sobreviventes deste mito.

Correntes de ar previam o fim da versão de passageiros em 2020. No entanto, surge uma pequena esperança de vida para a Rainha.

Boeing 747-400 da Espanhola Wamos Air

A Turkish Airlines está em negociações com a Boeing para a aquisição de 8 exemplares do 747-8i, a ultima versão do jumbo. Segundo avançou o jornal turco “Hürriyet”, a Turkish Airlines pretende adquirir as aeronaves através de leasing para operar rotas de longa distância.

Felizmente para os amantes do 747, ainda terão muitas fotos para tirar, muitas vivências para conversar. Garantidamente, fará as delicias de muitos entusiastas, repletos de memórias para recordar.